Alma, ah a alma…

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A palavra calada
A grama molhada
O peito abafado.

Nenhuma guerra suprema
Serpenteando a vida.
Nenhum rebento.

A magia translúcida
Refletida no espelho
Buscando, desejando, amando.

A vela tácita dança
Ao sabor do vento cálido
O pálido hálito da vida se esfria.

Não há naus navegando
Nem cardumes saboreando as águas.
Turvas, águas de palavras mudas.

Mudas as palavras, mudas as bocas, mudas as mãos.
O chão coberto de fina poça dágua
Embebedando a sola do sapato.

Mas a alma, ah a alma
Ela está viva,
Gritando seu fulgor.

A palavra muda, mas alma nunca cala.
O poema foge, a rima encobre,
Mas a alma, ah a  alma grita.

Ela nunca para, nunca descansa.
Vagueia nos cantos intangíveis do homem
Onde nada se separa.

O ser fundido nasce
Do grito profano da alma.
Alma,  ah a alma.

Rainha sedutora do intelecto
Razão fora do mundo.
Alma, ah a alma, que seduz o mundo.

Minha palavra calada
Envaidece-se e encurva-se no canto.
Mas minha alma, ah minha alma….

Ela grita com a rouquidão da voz
Cantada do fundo da garganta.
Voz, letra, palavra. Eis o cheiro da alma.

Poeta não é poeta, é tradutor.
Do nada ouve em si ela,
A alma, ah a alma.

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Um comentário sobre “Alma, ah a alma…

  1. Homero ,o segredo da alma é que ela não envelhece,o tempo faz com que ela amadureça ,fique mais sábia e nos conduz ao saber é muito gratificante saber que o filho que eu gerei com todo amor do mundo é hoje essa pessoa maravilhosa BEIJOS no seu coração

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