Arnaldo, Arthur, Helena e Ele

Imagem

 

I – Arnaldo

 
Sim, Helena, hoje Arthur me perguntou
Da sua vida. Me perguntou por onde andou,
A roupa que vestia, o suor de seu rosto. 
Pediu-me para te descrever, dizer a ele seu cheiro,
Mas as palavras me faltaram, não fui capaz. 
 
Quiz dizer-lhe de nossos tempos
Da luz da lua refletida no seu rosto, o perfil…
Dizer-lhe da força heroica de sua risada
E do amor digno que lhe operou,
Mas as palavras faltaram, não fui capaz. 
 
Ele, sim nosso amado Arthur, hoje um homenzinho,
Pegou na minha mão e me disse 
Que eu tenho o maior dos tesouros, seu sonho de vida.
Lembrou-me que tenho você na memória e chorando lhe sorri, 
Mas as palavras faltaram, não fui capaz. 
 
Helena, Helena, queria que você estivesse aqui
Queria que ele se alegrasse com sua risada e seu gênio,
Seu cheiro espalhado pela casa e de longe sua voz. 
Sim, Helena, eu queria compartilhar com ele você em mim, 
Mas as palavras faltaram, não fui capaz. 
 
As palavras faltam sempre, e nunca sou capaz.
Elas não descrevem meus sentimentos e o vazio que ficou…
O vazio que me preenche de nada e me torna incapaz. 
O Arthur, Helena, o Arthur não quer te esquecer. 
As palavras sempre me faltaram. Nunca serei capaz. 
 
Helena….
 
 
II – Arthur
 
Mãe, te queria tanto aqui vivendo em mim, me conhecendo. 
Minha voz, meu corpo, minha vida, meus amigos, tudo, mãe, mas você não está aqui. 
O papai chora todos os dias, escondido em seu quarto para que eu não saiba
Da sua dor eterna por não conseguir expressar
A dor de sua alma sem você, mãe. 
 
Eu lhe peço para me dizer de você, de quem você era
Para que eu fantasie o que me diria da minha vida,
O que me diria das minhas escolhas, dos meus atos, dos meus sonhos. 
A dor é grande por não saber de você, sua voz, seu cheiro, seu jeito. 
A dor da minha alma sem você, mãe. 
 
O papai sofre mãe. Sofre uma dor pungente
Que rasga o peito e desnuda a alma solitária e doente
De quem amou aquilo que eternamente não será mais seu. 
E eu, aqui, compartilho com ele, do outro lado, essa dor sem nome, mãe. 
A dor da nossa alma sem você, mãe. 
 
 
III – Helena
 
Não tenho mais palavra, 
Não tenho mais cheiro, 
Não tenho mais jeito. 
Não tenho mais Arnaldo e seu rosto suavemente bruto.
Não tenho mais Arthur, criança eterna em transmutação. 
Estou surda sem seus chamados. 
Sou apenas um ponto de luz distante, amorfo. 
Queria ter vocês em meus braços e dar-lhes o amor que tenho aqui guardado. 
Protegê-los como mãe e amante, serena e eterna,
Sombreando-os com o véu de meus cabelos. 
Mas as palavras me faltam, não sou capaz. 
Essa é a dor de minha alma sem vocês. 
 
 
IV – Ele
 
Eu sou vocês, Arnaldo, Helena, Arthur. 
Sou a conjugação de seus fogos, consolidação das almas. 
Sou o entrelaçado que os fazem enxergar a essência
Daquilo que foi e que registrou-se no mais límpido de seus seres. 
Sou o amálgama dos barros que te fizeram
E permeio seus sonhos. 
Sou aquele que alimenta o fogo que os mantém eternamente unidos, 
Os corações fundidos de Arnaldo, Helena e Arthur. 
Sólido como rocha será a eterna lembrança que os tornaram um único
E nada, nem ninguém, jamais romperá a ligação que os fazem co-existir. 
Sou o mistério que mantém vocês acesos e unidos. Eternos círculos de si mesmos. 
As palavras não faltam, pois não são necessárias.
Sim, vocês são capazes de amar além de si mesmos. 
Esse é o amor de minha alma por vocês. 
Anúncios

2 comentários sobre “Arnaldo, Arthur, Helena e Ele

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s