Satyagraha. Sejamos humanos.

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( Sobre a tragédia com Santiago Andrade, repórter cinematográfico da Rede Bandeirantes de Televisão )

O que mais assusta é que não houve uma razão.

Mas nem mesmo a bestialidade da guerra foi matriz. Nem aquela estupidez que, como  rastro de pólvora, domima as mentes pobres e débeis para acreditar que a violência soluciona, nem mesmo ela esteve lá. 

Não houve confronto, nem estratégias de ataques. Não houve barricadas,  sirenes, gritos.

Houve somente a desumanidade, a desnaturação, a peremptória negação da essência que nos faz raça. Houve uma cegueira no medir as consequências e imaginar que a vida é mais importante que quaisquer bandeiras.

O luto pela morte de Santiago não é somente pelo sorriso enterrado,  pela família cuja carne foi violada e que carregará cicatrizes eternas. Não é somente pelos amigos que trocaram os risos dos assuntos hilários pela gélida lápide que se consumirá com o tempo. O luto é também pela geração que não percebe que o importante é a chama da vida, que não pensa em se preservar acima de qualquer coisa. Trata-se de uma geração que não percebe que todas as suas bandeiras têm como fundamento primário a vida e que ela deve ser a primeira a ser preservada.

Sinto-me fraco por não achar palavras para descrever a dor de saber que temos entre nós aqueles que não pensam que haja consequências.  A dor, faca cravada na carne entre ossos, expreme o coração para tentar extrair uma razão.  Qualquer razão que seja.

Há sim bandeiras. Há sim o vento que as mantêm altas para exibir seus brasões. Há também o grito dos injustiçados e que buscam ecos em seus anseios. Mas a debilidade na capacidade humana apagou uma vela.

Que essa vela, apagada,  não seja somente a gélida lápide mas sim o símbolo de um novo rumo. Um momento em que a maravilha da vida, aquela energia que vem de dentro e inunda, ama, apaixona,  vive, que ela seja a mais alta de todas as bandeiras. Que não ofusque as outras, mas que seja aquela sem a qual todas perdem seus sentidos.

Satyagraha. Não precisamos de violências, mas de humanidades. Isso transformará a nossa sociedade de um amontoado de débeis em uma raça.

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