Rendo-me

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Rendo-me antes a mim mesmo, e aos meus pensamentos.

Rendo-me transmutando-me e a meus pensamentos à realidade que aprendi.

Busquei razões, rabisquei notas, tentei versar. Mas afinal, rendo-me.

 

Rendo-me integralmente ao mundo que usurpa minhas forças,

Que suprime meus desejos e que me cerca

Com os soldados da minha própria razão.

 

Rendo-me sublime aos vapores inebriantes da sedução,

Braços fortes que me prendem na obrigação da realidade

Sublimando o eu que habita aqui.

 

Rendo-me como aquele que buscou a feiura do mundo

E foi tragado pela beleza que cerca e vive serena

Nos cantos onde meu louco eu negou-lhe tudo.

 

Rendo-me a rendição humilhante que me diz

Que o deus que me pensei é pequeno e vago.

É um pequeno universo submerso num infinito, num sem limites.

 

Rendo-me pois não há como negar

Que o mundo é mais que um, é um complexo seleto de verdades

Sugando o melhor de mim e disseminando até os confins de suas muralhas infinitas.

 

Rendo-me pois me subjugo a um ser superior

Que compreende meus poros, alimenta minha alma, me diz quem sou

Sem palavras, nem mesmo pequenos sussurros de verdades.

 

Rendo-me porque entendo que é isso que cabe a nós.

Render-se humilde àquilo que supera nossa capacidade de compreensão.

Faço-o pois compreendo minha incompreensão.

 

Rendido me fortaleço e conquisto as águas perdidas

Do mar sem estrelas para guiar no breu da noite escura.

Esse mar chamado vida. Antes, agora e depois. 

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