Alma

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Dentro, bem dentro de mim
Habita um ser único.
Ele vive em um ambiente inóspito,
Respirando as fagulhas de sinceridade que me permito.
Esse ser se cala e, absorto, aceita tudo o que lhe entrego.

Ele é um círculo completo.
Sua aura lhe permite ser longe e perto.
Permite vermos por entre seus lábios
O sussurro que encerra sua existência.
O círculo permitindo a sua própria reinvenção.

O ser único que habita em mim não me cobra.
Ele não me é um parasita, nem suga a minha voz.
Permite minha mente voar livremente até os confins de meus sonhos.
E até mesmo permite sufocá-lo por alguns instantes.
Apesar disso, seus olhos continuam ternos.

É um ser que não emite som.
Sua respiração é lenta e acompanha a minha própria.
Somente a sensação de paz da sua presença
Faz-me ver que ele está lá.
Lindo, círculo, único.

Algumas vezes tentei tocá-lo.
Estiquei-me no mais calado de minhas entranhas
Buscando roçar o dorso de minha mão em sua pele macia.
Imaginei milhões de vezes aquele toque,
Mas o ser único que habita em mim é etéreo, intangível.

Sua luz é de uma cor indefectível.
Como único, tudo que o define é único, soberbo.
A ele lhe bastam apenas as sensações de minhas entranhas
Que o circundam em seu habitat.
Apesar de único, a ele é reservado pouco.

Sempre me pego a pensar o que o levou a me escolher como morada.
Sou apenas um entre bilhões, sem sabores nem dissabores.
E quando questiono, ele reage.
Aferroa-me as mesmas entranhas que o abriga
Mostrando-me que aquele lugar é dele.

Hoje o tenho como meu.
Aquele ser inominado, único, círculo e eterno
Esteve, está e sempre estará ali, alojado.
Hoje estamos unidos muito mais pelo amor mútuo
Que por qualquer outro motivo menor.

Às vezes converso com ele.
Conto-lhe minhas muitas misérias e meus regalos.
Ele se encolhe e me ouve atendo, mudo.
Mas sinto-o vivo e, vivo, vivendo minhas emoções.
Ele está ali, inerte e eterno.

Expande-se, retrai-se e dança.
Esse ser que habita em mim é assim
E me pego vivendo por ele minha própria vida.
Ele me mostrou os caminhos, me fez sentir sabores.
Ele, na verdade, sou eu encerrado em minhas próprias carnes.

Tentei entender de onde vinha aquele ser
Mas não consegui achar respostas.
Não consegui entender se somos somente nós dois
Ou se fazemos parte de um todo maior. Ou, talvez, se somos apenas um.
O ser único me mostrou que eu e ele encerramos o mundo todo em nossas mãos.

E seguimos assim, desde o princípio de nosso tempo,
Unidos pela força que o permite estar aqui, e também que me permite vê-lo ali.
A união de nossas vozes se encerra no silêncio de nossas falas.
Estamos unidos eternamente por coexistirmos nesse corpo.
O ser único e eu.

Não me cabe, ao final, questionar quem ou o que somos.
Não é a mim que cabe explicar a simbiose entre nossos desejos e emoções.
Ele, tampouco, não se preocupa em mostrar-me o caminho do entendimento.
E assim, resolutos, livres e reféns de nossas emoções
Caminhamos juntos, presos em nosso próprio círculo de vida.

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