Vida

vida

A vida é assim,
Água pelos dedos.
Escorre fluida pela geografia das mãos,
Deixando a alma de seu cheiro nos cantos.

Quero diuturnamente alimentar minhas rugas
Admirar meu rosto transfigurar-se
De menino em moço, de moço em homem,
De homem em velho e de velho em Deus.

A vida criou-se assim.
Da essência poderosa fez-se um mundo
E nesse mundo minha centelha foi deixada.
Minha alma veio ter aqui nessas terras.

Quero a vida assim, nem mais nem menos.
Quero estar cercado por aqueles que escolhi
E por aqueles escolhidos pelos meus nomeados,
Vivendo todos numa corrente sem fim.

Sim, a vida nos cobra os dedos das mãos.
Ela nos cobra a saúde juvenil,
Dores agarradas na alma e
Também as rugas no rosto.

Mas vale muito a pena viver a vida.
A vida é aquilo que nos mantém unidos
Bordando nossa própria história,
Emaranhando agulhas e desanovelando o fio.

Marcas, rugas, calos…
Saudade dos que foram, mar dos que ficam.
A vida é assim, serena, completa, fluida.
Uma poesia eterna.

E poesia, a gente sabe,
É caleidoscópio de palavras
Onde o poeta diz o que o leitor sente.
Vida é poesia. É poético viver.

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